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  Segunda-feira, 13 de Julho de 2026 - SEGUNDA-FEIRA da semana XV    Orações Terço Via-Sacra Via Lucis
XV DOMINGO DO TEMPO COMUM - Entre o Céu e a Terra... «a Palavra»O Banquete da Palavra

Que confiança oferece a palavra do homem?

Não muita. Desconsolado e desiludido, o salmista dizia: «A lealdade desapareceu de entre os filhos dos homens. Mentem uns aos outros, na sua língua só há engano, só há duplicidade no seu coração» (Sl 12, 2-3). Hoje em dia, a palavra continua a não ter muito valor: não se acredita em promessas, só há garantias de cumprimento quando os acordos são escritos e assinados; «factos, não palavras» é uma expressão que muitas vezes se ouve.

É também assim a Palavra de Deus?

No primeiro capítulo do Génesis é repetido 10 vezes este refrão: «Deus disse... e assim aconteceu». «A palavra do Senhor criou os céus. Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenou e tudo foi criado» (Sl 33, 6.9). A sua palavra não é como a do homem; é viva e eficaz, faz aquilo que anuncia, não mente nem desilude.

A mística grega propunha que se entrasse em relação com Deus através de visões, êxtases, arrebatamentos, transes paroxísmicos; a espiritualidade bíblica põe em primeiro lugar a escuta, porque está certa de poder depositar uma confiança absoluta na palavra do Senhor.

«Escuta, Israel» – é a oração preferida pela piedade judaica (Dt 6, 4). «Ouvi a palavra do Senhor» – recomendam os profetas (Is 1, 10; Jr 11, 3). «O Senhor não se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua palavra» – diz Samuel (1Sm 15, 22). «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas abriste-me os ouvidos para escutar» – afirma o salmista (Sl 40, 7).

Na Bíblia, escutar não significa receber uma comunicação ou uma informação, mas aderir a uma proposta, acolher, guardar no próprio coração e pôr em prática. Equivale a depositar confiança em Deus.

Quem escuta a sua palavra com estas disposições, é bem-aventurado (Lc 11, 28).

Para interiorizar a mensagem, repetiremos:
- Até mesmo no pecador mais calejado está presente o terreno fértil e receptivo à palavra de Deus.



PRIMEIRA LEITURA

Deus está no céu e o homem na terra (Ecl 5, 1). Ao Senhor sobem as súplicas, e Ele ouve-as e responde enviando a sua palavra que opera prodígios (Sl 147, 15-18). Os seres inanimados obedecem-lhe docilmente: «Age conforme lhe apraz, tanto para a milícia celeste como para os habitantes da terra» (Dn 4, 32), «envia a luz e ela vai, chama-a e ela, tremendo, obedece-lhe. Às estrelas que brilham alegremente nos seus postos, Ele chama-as e elas respondem: “Aqui estamos.” E, jubilosas, cintilam para o seu criador» (Br 3, 33-35).

Não é assim com o homem. Nos seres livres, a palavra de Deus só pode agir se for acolhida, se cair num terreno fértil que lhe permita dar fruto.

O trecho que conclui o livro do Dêutero-Isaías, e que hoje nos é proposto, é um hino à eficácia vivificante da palavra de Deus. Para o podermos compreender e apreciar, é necessário colocá-lo no contexto histórico em que foi composto.

Estamos na segunda metade do século VI a.C. Há muitos anos que os Israelitas se encontram na Babilónia e, com insistência crescente, colocam-se a pergunta: Poderemos nós, um dia, voltar a ver a nossa terra?

A estas pessoas cansadas e abatidas é enviado um profeta para anunciar a libertação iminente.

Passam alguns anos, mas nada acontece, e este atraso aumenta a desilusão e o desconforto. Por qual motivo – perguntam-se eles – a palavra de Deus não se realiza? Também Ele, como os homens, não mantém as suas promessas?

A esta dúvida o profeta responde com uma imagem. A palavra de Deus é como a chuva e como a neve: caem do céu e não regressam ao céu sem terem feito aquilo a que estão destinadas; possuem um dinamismo irresistível, uma energia que fecunda e faz germinar o trigo, a erva verde e as flores. A palavra enviada pelo Céu nunca volta a Deus de mãos vazias, leva sempre consigo algum fruto. É certo que os resultados dependem também da terra onde cai; mas, onde chega, nada fica como estava antes.

A imagem da chuva e da neve, assim como a do ciclo das estações e o lento crescimento da semente, são um convite a não esperar resultados imediatos. A palavra de Deus age muitas vezes ao longo dos tempos, porque tem que contar com as reacções, as escolhas, as decisões e também com o endurecimento do coração e a teimosia do homem. São precisas a paciência, a capacidade para esperar, a perspicácia, unidas à confiança inabalável na força vivificante desta palavra.

Os israelitas deportados para a Babilónia souberam esperar, permaneceram firmes na convicção de que «as palavras do Senhor são verdadeiras, as suas obras nascem da fidelidade» (Sl 33, 4) e, passados alguns anos, um primeiro grupo pôde deixar a Mesopotâmia e voltar à terra de seus pais.

Quem confia na palavra do Senhor experimentará um dia os seus efeitos prodigiosos.




SEGUNDA LEITURA

Quem se encontra num labirinto, pensa e volta a pensar, dá voltas e desespera, mas acaba por voltar sempre ao ponto de partida. Só um par de asas que o levantassem no ar lhe permitiriam contemplar, do alto, a posição em que se encontra e descobrir o caminho para a liberdade.

Tudo o que acontece na terra, a agitação das pessoas, o suceder-
-se de acontecimentos muitas vezes absurdos, os dramas, tudo isto são enigmas que permanecem inexplicáveis até nos elevarmos ao Céu, a Deus. Se, com o Senhor, se vislumbram horizontes mais vastos, consegue-se dar um sentido àquilo que acontece no mundo. A realidade em que vivemos apresenta-nos motivos inegáveis para sermos pessimistas, mas quem entra na perspectiva de Deus recupera, mesmo se por vezes com dificuldade, a serenidade e a esperança.

A criação – diz Paulo – foi submetida à caducidade, à escravidão, à corrupção, e grita a sua dor. Foi arrastada para um projecto absurdo, oposto àquele para que tinha sido criada. O pecado e o egoísmo desvirtuaram-na. Agora, o homem assusta-se com as consequências dos seus erros: vê ameaçada a fertilidade da terra, a salubridade do ar, a sanidade da água; constata os estragos provocados às plantas e aos animais, sabe que encheu os fundos marinhos de resíduos tóxicos e de bombas... Esta criação aguarda a redenção: quer ser levada de volta ao projecto de Deus que, no início, tinha contemplado com agrado tudo o que tinha feito, «considerando-o muito bom» (Gn 1, 31).

Paulo convida a não desesperar, e a não interpretar o grito de dor da criação como o de um moribundo. É mais semelhante ao grito da mulher que está para dar à luz uma nova vida.

Os cristãos não são insensíveis aos gemidos da criação, mas também não se deixam abater, porque têm a certeza de que, não obstante possa parecer o contrário, a palavra de Deus realizará a nova criação.




EVANGELHO

Os teólogos e os pregadores expõem sapientemente verdades muito profundas, mas por vezes usam uma linguagem complicada e difícil. Dão quase a impressão de não se preocuparem se as pessoas entendem, se estão interessadas, se estão entusiasmadas ou aborrecidas. Jesus tinha um método pedagógico diferente: mesmo quando tratava assuntos difíceis, usava sempre uma linguagem simples, recorria a comparações e a imagens, contava histórias ambientadas na vida dos pastores, dos pescadores, dos comerciantes, dos cobradores de impostos e, sobretudo, dos camponeses, no meio dos quais tinha nascido e crescido.

A parábola – diziam os rabis – é como o pavio de uma vela: custa poucos centavos e, no entanto, por muito fraca que seja a sua luz, pode levar a descobrir um tesouro.

Hoje, Jesus introduz o tema teológico mais difícil, o enigma ao qual as mentes mais lúcidas e os espíritos mais nobres da humanidade procuraram – em vão – dar uma resposta: «Porquê o mal?», «Por que é que o reino de Deus encontra tanta dificuldade em afirmar-se?» Trata-o com o seu método habitual: a parábola.

O trecho está nitidamente dividido em três partes. A primeira (vv. 1-9) é constituída pela parábola; a segunda (vv. 10-17) contém algumas máximas de Jesus de difícil interpretação, já que parecem insinuar que Ele não quer que os seus ouvintes se convertam; a terceira (vv. 18-23) é uma aplicação da parábola à vida da comunidade.

Antes de comentar cada uma destas partes, vamos fazer uma premissa. Os biblistas são unânimes em reconhecer que a explicação da parábola, mesmo tendo sido posta na boca de Jesus e seja um reflexo do seu pensamento, não foi pronunciada directamente por Ele. Então de quem é?

Os primeiros cristãos, quando ministravam a catequese nas suas comunidades, não estavam preocupados em transmitir à letra aquilo que Jesus tinha dito; esforçavam-se antes por tornar compreensível e eficaz a sua mensagem, aplicando-a às situações concretas da sua vida. Estavam cientes de que os evangelizadores não deviam comportar-se como simples repetidores; para serem fiéis à palavra do Mestre, deviam actualizar a sua mensagem. Sabemos que quem repete de modo exacto as palavras de uma pessoa nem sempre reflecte o seu pensamento.

Então, os primeiros cristãos modificaram, uma ou outra vez, alguma das parábolas, ou então acrescentaram uma explicação adaptada às situações das suas comunidades.

Foi o que aconteceu com a parábola que nos é proposta hoje. Jesus contou-a para dar um ensinamento aos seus ouvintes, e os primeiros cristãos aplicaram-na aos problemas concretos das suas vidas (problemas esses que não eram propriamente os mesmo dos discípulos que ouviam Jesus). Assim nasceu a catequese «actualizada» que se encontra nos versículos 18-23.

Começaremos por esclarecer o sentido e a mensagem que tinha a parábola na boca de Jesus e, depois, após termos interpretado os difíceis versículos centrais, explicaremos a leitura que as comunidades de Mateus dela fizeram.

Um modo estranho de semear (vv. 1-9).

Na parábola há um pormenor que chama imediatamente a atenção: o desperdício das sementes que são espalhadas em grande quantidade num terreno estéril. Causa surpresa o comportamento do agricultor que parece agir de forma pouco ajuizada. São dedicados exactamente três quartos do relato à semente que vai parar à estrada, em lugares rochosos ou entre espinhos e é devorada pelos pássaros, queima-se ou é afogada.

A insistência no desperdício, no insucesso, nas perspectivas desanimadoras é um elemento importante: reflecte a realidade do mundo no qual o mal parece ser muito mais forte e mais eficiente do que o bem. Note-se o seu poder progressivo e premente: a semente não nasce, aquela que nasce não cresce, aquela que cresce é afogada.

De quem depende? Porque é que isto acontece? Se Deus é bom, porque é que o seu Reino não se desenvolve sem obstáculos? Estas são as questões às quais Jesus queria dar uma resposta.

Para compreender a parábola, é preciso ter presente que naquela época a sementeira não era feita depois do campo ter sido preparado, mas antes. O lavrador não começava por arar, cavar, arrancar os espinhos, tirar as pedras, mas por semear antes de passar com o arado. Percebe-se, assim, como é que uma parte da semente podia ir parar às pedras, no meio das ervas ou naqueles pequenos carreiros que se formam nos campos quando estes são atravessados durante a ceifa ou quando não são cultivados por um certo tempo.

Quem observa o agricultor da parábola é levado a pensar que este trabalha em vão e desperdiça sementes e energia. É difícil acreditar que, num campo reduzido àquele estado, possa germinar alguma coisa. Mas eis que, depois da sementeira, o agricultor passa o arado: os carreiros desaparecem, as ervas e os espinhos são tirados, as pedras afastadas e o campo, que parecia improdutivo, passado pouco tempo cobre-se de plantas de trigo e depois de espigas loiras. É um autêntico milagre!

Jesus conta esta parábola num momento difícil da sua vida: foi expulso de Nazaré, foi tomado por louco em Cafarnaum, os fariseus querem matá-lo, os discípulos abandonam-no. Parece mesmo que toda a sua pregação foi em vão; as condições são demasiado desfavoráveis, a sua palavra parece destinada a morrer (cf. Mt 11-12).

Com esta parábola, Jesus queria lançar uma mensagem aos seus discípulos que, desencorajados, o interrogavam acerca da utilidade do trabalho apostólico que estava a fazer: não obstante todas as contradições e os obstáculos, a sua palavra daria frutos abundantes, porque tem em si uma força de vida irresistível.

Ao contrário de todas as expectativas, a vinda do Messias não foi clamorosa, não teve grande ressonância. A sua passagem por este mundo pareceu das mais insignificantes: não mudou nada na vida social e política do seu povo. O Baptista foi mais famoso do que Ele. Jesus desapareceu na terra como uma pequena semente, débil, quase invisível, e, no entanto, passado pouco tempo, esta semente começou a germinar. O Evangelho fermentou a humanidade e nós, hoje, podemos verificar que a mensagem da parábola do semeador se está a realizar.

Todos nós já nos questionámos sobre se vale a pena anunciar a palavra de Deus num mundo e numa sociedade corrupta como estes em que vivemos, se ainda faz sentido, nos dias de hoje, falar de bem-aventuranças evangélicas e dar catequese a pessoas que não ouvem, que têm o coração endurecido, que pensam apenas no dinheiro, nos divertimentos, naquilo que é caduco, fugaz, efémero. Os evangelizadores e os catequistas não estarão a semear em vão?

Quando surgem estes pensamentos, então é o momento de professar a própria fé na força divina contida na palavra do Evangelho.

 

Por que é que Jesus fala por meio de parábolas? (vv. 10-17)

A meio da sua vida pública, Jesus faz um balanço, e constata que são poucas as pessoas que aceitaram a sua mensagem. Surpreendente? Não – diz Ele. Também os profetas do Antigo Testamento não eram ouvidos. No tempo de Isaías, por exemplo, as pessoas tapavam os ouvidos para não ouvirem a palavra de Deus, e endureciam o seu coração para não se converterem (vv. 14-15).

É por este motivo que Jesus recorre às parábolas: faz uma nova tentativa para desbloquear a situação. Pensa que, com esta linguagem simples e concreta, será possível entrar no coração dos seus ouvintes. A parábola obriga a reflectir, a procurar o significado recôndito, faz pensar, faz a pessoa cair em si e, pode assim, levar à conversão. Estes versículos são um convite a abrir o mais rapidamente possível os olhos, os ouvidos e o coração; doutra forma, as parábolas permanecem histórias enigmáticas e não produzem nenhum fruto.

 

Os quatro tipos de terreno (vv. 18-23).

A aplicação da analogia à vida da comunidade tem por finalidade ajudar os discípulos a identificarem as dificuldades que a palavra de Deus encontra em cada um. A escassez de resultados não depende da semente ou do semeador, mas do tipo de terreno.

Há antes de mais um coração duro, que o é – como o terreno de um caminho – porque muitas pessoas o calcaram. Representa o coração impenetrável à palavra de Cristo porque assimilou o modo de pensar deste mundo, adaptou-se à moral corrente, fez seus os valores propostos pelos homens. Este é o maligno, o demónio devastador que se insinua nos pensamentos e nos sentimentos tornando-os mesquinhos, frívolos, enchendo-os de propostas de vida insensatas, de raciocínios desajuizados.

Há depois um coração inconstante, que se entusiasma facilmente mas que depois, passados poucos dias, volta a ser o que era. É como uma pedra coberta por uma pequena camada de terra: lança-se uma semente, esta germina, mas seca logo.

Há também um coração inquieto que se agita por problemas deste mundo, que vai atrás do sucesso e da riqueza, que alimenta sonhos mesquinhos. Estas preocupações são como os espinhos: sufocam a semente da palavra.

Por fim, há um coração bom, no qual o Evangelho produz frutos com abundância.

Não se trata de quatro categorias de pessoas, mas de quatro atitudes interiores que se encontram, em proporções diferentes, em cada pessoa. É inútil que o evangelizador, para lançar a preciosa semente da palavra, fique à espera de encontrar o terreno ideal, aquele perfeitamente fecundo. Terra boa, espinhos, pedras e terra árida sempre estarão juntos. Para alguns, isto poderá ser motivo de desencorajamento, mas para os verdadeiros apóstolos, para os catequistas autênticos isto será um estímulo para uma sementeira ainda mais abundante. Muitos esforços serão vãos, mas um dia, pontualmente, a espiga irá aparecer, em cada pessoa.

Fonte: O Banquete da Palavra / Fernando Armellini : Paulinas Editora

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Is 1, 10-17
Salmo:
Salmo 49 (50), 8-9.16bc-17.21 e 23 (R. 23b)
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Liturgia das Horas:
Segunda-feira III
Terço do Rosário:
Mistérios Gozosos

 

   
 


Última actualização: 2010-12-01 00:00:00

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