Capela Sto Isidoro
Página Principal Paroquias.org
Inteligência Espiritual

  Sexta-feira, 3 de Julho de 2026 - S. TOMÉ, APÓSTOLO    Orações Terço Via-Sacra Via Lucis
XIII DOMINGO DO TEMPO COMUM - Quem Tem Um Coração Grande Não se Contenta com Uma Casa PequenaO Banquete da Palavra

O termo casa, em hebraico, indica não só o edifício, mas também a família, a célula da sociedade na qual, principalmente nos tempos antigos, a pessoa encontrava guarida, acolhimento e protecção.

A pessoa não pode prescindir desta dupla casa: «o essencial da vida do homem é a água, o pão, o vestuário e uma casa para ocultar a própria nudez» (Eclo 29, 21), e por este motivo, no Médio Oriente, a hospitalidade é sempre sagrada, como atestam as frequentes recomendações da Bíblia: «exercei a hospitalidade uns com os outros, sem queixas» (1Pd 4, 9); «não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Hb 13, 2).

Mas a quem quer iniciar uma nova família é pedido o desapego da sua própria casa: «o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). É um abandono que conduz a um encontro, destinado a dar continuidade à vida.

Também Jesus abandonou um dia a segurança que lhe era
oferecida pela casa de Nazaré: «as raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8, 20); deixou também a família: «quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?» Depois, indicando com a mão os discípulos, disse: «aí estão minha mãe e meus irmãos» (Mt 12, 48-50).

Pede a mesma disponibilidade a quem o quer seguir: a coragem de se desapegar para levantar voo em direcção a uma realidade superior, para entrar numa nova casa, numa nova família, a família dos filhos de Deus.

Para interiorizar a mensagem, repetiremos:
- No discípulo, é Jesus quem bate à nossa porta e pede hospitalidade.



PRIMEIRA LEITURA

Num declive sempre ensolarado, onde a colina de Moré se junta à planície de Esdrelon, favorecida pela presença de uma nascente abundante, surgira, desde tempos remotos, a cidade de Sunam. Era famosa porque aí tinham acampado os filisteus antes de derrotarem Saul (1Sm 28, 4) e aí tinha nascido Abisag, a jovem atraente que tomara conta de David na sua velhice (1Rs 1, 3). Nos tempos de Eliseu, esta cidade era habitada por abastados proprietários de terras, e é precisamente em casa de um destes que decorre o episódio narrado na leitura de hoje.

O profeta, que passava habitualmente por esta cidade, tinha feito amizade com um casal já de certa idade e sem filhos. Era sobretudo a senhora quem nutria estima e afecto pelo homem de Deus. Sabendo que vinha de longe e que não tinha casa nem família, sentia por ele uma grande ternura; partilhava a sua missão e acolhia-o com os cuidados de uma mãe. De acordo com o seu marido, tinha mandado construir para ele um pequeno quarto no andar superior, em tijolos, e tinha posto lá uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada.

A senhora, sem dúvida bastante rica, poderia ter-se limitado a dar algum dinheiro a Eliseu para que depois continuasse o seu caminho. Mas não – e este é o aspecto a sublinhar – não se limitava a dar-lhe uma ajuda, acolhia-o na sua própria casa, queria que se sentisse membro da sua família.

Agradou a Deus o gesto desta mulher, e para lhe mostrar quanto apreciava a sua solidariedade para com o profeta e as bênçãos que Ele reserva a quem colabora com quem anuncia a sua Palavra, concedeu-lhe a maior alegria a que ela podia aspirar: deu-lhe um filho.

Eliseu representa os apóstolos que também hoje deixam a sua terra, a família, uma vida abastada e tranquila, e fazem a escolha de se dedicarem totalmente ao serviço de Deus e do Evangelho. Mais do que apoio material, precisam de sentir a presença amiga de pessoas que partilham os seus ideais, de pessoas que – principalmente nos momentos de dificuldade, de desencorajamento e de solidão – saibam apoiá-los e estar próximas deles.




SEGUNDA LEITURA

O Baptismo era um rito muito comum no tempo de Jesus. Eram baptizadas aquelas pessoas que seguiam o Baptista, as que renunciavam ao paganismo e escolhiam a religião de Israel, as que entravam numa seita religiosa e também os escravos a quem os patrões concediam a liberdade. Era um gesto que indicava uma mudança radical na vida: a morte para com o passado e o renascer.

Também o Baptismo cristão tem, fundamentalmente, o mesmo significado. Isto compreende-se melhor considerando que, na Igreja primitiva, eram sobretudo os adultos que eram baptizados na noite de Páscoa. Tratava-se de pagãos que, com a imersão na água de um tanque, sepultavam um passado caracterizado por violências, ódios, adultérios, furtos, corrupção, imoralidade e, saindo da água, mostravam ser pessoas novas, prontas a seguir o caminho de Cristo.

As águas da fonte baptismal eram consideradas as águas do ventre materno da comunidade que gerava novos filhos de Deus.

Compreende-se assim aquilo que Paulo afirma no importante trecho proposto na leitura de hoje: «Fomos sepultados com Cristo pelo Baptismo na sua morte, para que também nós vivamos uma vida nova» (v. 4). A passagem da morte para a vida foi percorrida por Cristo, e depois, atrás dele, por cada um dos discípulos.

No último versículo, o Apóstolo indica as consequências práticas deste evento: o Baptismo é o dia em que se renasce, portanto, marca também o início de uma vida moral completamente nova; o cristão não pode continuar a fazer as acções que fazia antes, deve considerar-se «morto para o pecado e vivo para Deus, em Cristo Jesus» (v. 11).




EVANGELHO

O segundo dos cinco discursos de Jesus que se encontram no Evangelho de Mateus, desenvolve os temas ligados ao envio dos discípulos em missão. Na leitura de hoje é proposto o trecho conclusivo.

Na primeira parte (vv. 37-39 são apresentadas, com toda a sua dureza, as exigências para seguir Jesus. São pedidas renúncias de uma radicalidade inaudita e, como se não bastasse, cada uma delas é acompanhada por uma severa e drástica advertência, pronunciada como um refrão: não é digno de mim! Nunca um rabi exigiu tanto de quem o seguia, e talvez por isso, um dia, os judeus perguntaram a Jesus: «Afinal, que é que Tu pretendes ser?» (Jo 8, 53).

Antes de tudo, Ele exige do discípulo o desapego radical até mesmo dos afectos mais íntimos e naturais, como o amor pelos pais e pelos filhos.

A sua exigência deve ser lida no contexto das imagens paradoxais utilizadas na última parte do discurso. Ele acaba de afirmar que não veio trazer a paz, mas uma espada (Mt 10, 34).

Depois de ter declarado bem-aventurados os construtores de paz (Mt 5, 9) e ter pedido para amar os inimigos (Mt 6, 44), Jesus não pode certamente incitar à agressão física. A espada que provoca divisões e conflitos é a sua Palavra, aquela que o autor da Carta aos Hebreus define «viva, eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das junturas e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração» (Hb 4, 12). É a espada a que se referia Simeão na profecia feita a Maria (Lc 2, 35).

Jesus não pretende contrariar a Tora de Moisés, que manda honrar o pai e a mãe, aliás recordou muitas vezes esse mandamento (Mt 15, 4); porém, está consciente de ter vindo «para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição, pois assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 34-35). Sabe que a sua Palavra provocará incompreensões, contrastes e tensões até mesmo nas próprias famílias.

Mateus escreve o seu Evangelho num tempo de perseguição. Os discípulos fizeram muitas vezes a experiência de que, para permanecerem fiéis a Cristo, tinham que estar prontos a aceitar até mesmo a rotura dos laços com as pessoas mais queridas. Os rabis tinham tomado a decisão de expulsar das sinagogas, de excluir do povo eleito quem considerasse Jesus como messias; tinham ordenado que quem aderisse à fé cristã, considerada herética, fosse repudiado pelos seus próprios familiares. As consequências desta exclusão eram graves e dolorosas, não só do ponto de vista afectivo, mas também social e económico.

Jesus exige do discípulo a coragem de ficar sem apoios, sem protecção e sem seguranças materiais por amor do seu Evangelho; depois continua com outra exigência, ainda mais dramática: a disponibilidade não só para perder tudo, mas também para renunciar à própria vida.

A imagem da cruz refere-se às consequência inevitáveis que enfrenta quem quer viver segundo os princípios do Evangelho: como o Mestre, irá ao encontro da cruz, ou seja, da hostilidade do mundo. Mesmo que não lhe seja tirada a vida com o martírio, deverá doá-la num constante e generoso sacrifício de si mesmo.

«Veio para o que era seu, e os seus não o receberam» (Jo 1, 11). Esta foi a resposta do homem ao pedido de hospitalidade que lhe foi dirigido por Deus. Foi o que aconteceu muitas vezes a Jesus (Lc 9, 53), e é o que espera os discípulos enviados por Ele (Mt 10, 14).

 

Na segunda parte do trecho (vv. 40-42) está contida uma promessa extraordinária para aqueles que acolhem os pregadores do Evangelho.

«Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou» (v. 40). Não se trata simplesmente de hospitalidade material, como a que foi oferecida a Eliseu pela mulher de Sunam, mas de acolher a mensagem. Diziam os rabis: «o enviado de um homem é como aquele mesmo homem.» Jesus quer afirmar a autoridade concedida por Ele ao seu discípulo: nas palavras do discípulo ressoa a voz do Mestre e, por Ele, a do Pai.

É aqui que é retomado o tema introduzido pela primeira leitura. Quem acolhe o profeta, pelo facto de ser um profeta, receberá a recompensa do profeta. Até mesmo um gesto de amor simples, como o de oferecer um copo de água fresca a um discípulo, mesmo se pequeno, sem grande aspecto, sem títulos de prestígio, não ficará sem recompensa.

Nem toda a gente recebeu de Deus as mesmas qualidades e os mesmos dons. Todavia, de várias formas mas com a mesma generosidade, cada verdadeiro crente é chamado a dar o seu contributo e apoio a quem se dedica directamente ao anúncio da Palavra de Deus. Ainda antes da ajuda material, estas pessoas precisam de sentir que os seus esforços são apreciados pelos irmãos na fé, e que a sua mensagem é assimilada.

Este acolhimento deve manifestar-se de forma particular em relação àquelas pessoas que renunciaram a fazer uma «casa», a construir uma família, não para fugirem, para viverem isoladas e distantes do mundo, mas para pertenceram a todas as famílias, para estarem completamente disponíveis para Cristo e para os irmãos. Como é valorizado o seu serviço? Como estão inseridas na nossa comunidade? Cada família considera-as como membros seus ou como estranhos? Como é manifestada a gratidão em relação ao trabalho que generosamente fazem?

Fonte: O Banquete da Palavra / Fernando Armellini : Paulinas Editora

Esta semana
  Dom, 28 Junho
DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM
  Seg, 29 Junho
S. PEDRO E S. PAULO, APÓSTOLOS
  Ter, 30 Junho
  Qua, 1 Julho
  Qui, 2 Julho
  Sex, 3 Julho
S. TOMÉ, APÓSTOLO
  Sá, 4 Julho
S. Isabel de Portugal
  Dom, 5 Julho
DOMINGO XIV DO TEMPO COMUM

Clique na data para ler a Liturgia do respectivo dia.


Liturgia de hoje
Leitura I:
Ef 2, 19-22
Salmo:
Salmo 116 (117), 1.2 (R. Mc 16, 15)
Evangelho:
Jo 20, 24-29
Liturgia das Horas:
Sexta-feira I
Terço do Rosário:
Mistérios Dolorosos

 

   
 


Última actualização: 2010-12-01 00:00:00

© 1999-2026 Paroquias.org