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Testemunhas credíveis do Evangelho ou Como ser sal da terra?
2002-05-11 00:09:46

Intenção do Santo Padre para o Apostolado da Oração - mês MAIO
Que os cristãos vivam a fé de modo coerente e sejam testemunhas credíveis da esperança evangélica.


1. «Vós sois o sal da terra» (Mt 5, 13). Não se trata de uma proposta genérica, ao jeito de um «deveis ser o sal…». É obrigação concreta, específica, para os dias de hoje. Mas, como ser o «sal» desta «terra»? O sal só é bom na justa medida: nem tão pouco que acabe por não se notar a sua presença, nem tanto que acabe por estragar a comida. O mesmo há-de acontecer com os cristãos: nem tão diluídos na «terra» que ninguém se aperceba da sua existência, nem tão presentes que acabem por provocar rejeição. Ser o «sal», ao jeito de Jesus: sem compromisso com o pecado, mas comprometidos com os pecadores; sem impor nada a ninguém, mas anunciando caminhos de verdadeira vida; presentes, mas sem agredir; testemunhando, sem medo, o Deus Pai de bondade, mesmo quando os homens preferem incensar os deuses do ódio e da violência; afirmando com clareza a opção pelo Evangelho, mesmo se o «mundo» prefere escutar outras palavras…

2. «Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar?» (Mt 5, 13). Se o cristão se corromper, não serve senão para «ser lançado fora e pisado pelos homens» (cfr. Mt 5, 13) – porque não «salga» e porque ninguém o pode «salgar». Não será isso que nos acontece quando nos desviamos da exigência evangélica e contemporizamos com a moda, o socialmente correcto, aquilo que a maioria gosta de ouvir? Ou quando renunciamos a anunciar com clareza e sem subterfúgios a doutrina recebida da Tradição e que a Igreja nos propõe como aquela a ser vivida, hoje e agora? Ou quando nos apresentamos divididos entre «progressistas» e «conservadores»? Ou quando optamos por falar ao «mundo» a linguagem do «mundo», esquecendo que nos foi confiado o anúncio do Evangelho da vida? Ou, sobretudo, quando nos apresentamos com uma doutrina mas sem fé, com palavras bonitas mas uma vida incoerente? Que então sejamos ignorados pelos homens, nem é mal – é apenas sinal de que já não servimos para nada… e o mundo reage em conformidade. O mais trágico, quando tal acontece, é que, segundo a palavra do Senhor, ninguém pode ser «sal» por nós, nem em favor do mundo nem de nós mesmos.

3. «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14). Apesar de todos os pesares que nos assaltam quando contemplamos a nossa fragilidade, quase sempre com pouco sabor a Evangelho, o Mestre acrescenta responsabilidade sobre responsabilidade: «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14). Não se trata de um título de glória, é antes uma responsabilidade – Ele não nos chama para ficarmos escondidos na sacristia ou nos templos, mas para sermos como a cidade no alto do monte, que não se pode esconder. Ser luz, não para sermos vistos e louvados – afinal, o «mundo» não gosta da luz nem a louva. Somos luz para que as nossas boas obras sejam vistas e o Pai do Céu glorificado – pois se formos verdadeira luz, os homens perceberão que as «nossas» boas obras não nos pertencem, são de Deus e têm a sua marca.

4. Testemunho coerente da fé. Se damos ao mundo aquilo que ele já tem, para que precisa o mundo de nós? E se lhe damos palavras sem vida, doutrina sem obras, não nos dirá o mundo: «Médico, cura-te a ti mesmo»? O testemunho coerente da fé, lembrado pelo Papa na Intenção deste mês de Maio, é o único modo sensato de nos apresentarmos num mundo sempre necessitado de sinais de esperança e salvação. Testemunho coerente, ou seja, conformidade da vida com a fé, sem cedências ao «espírito do tempo» e sem medo de anunciar o Evangelho. Testemunho de esperança, porque vivemos de Outro e não de nós – se assim não fora, o peso da responsabilidade que carregamos esmagar-nos-ia. Mais ainda porque temos consciência das nossas fragilidades, misérias e pecados, individuais e colectivos, e sabemos como o poder do mal nos assalta continuamente… Conscientes da nossa pobreza e, esperamos, ricos de Deus, poderemos continuar a exercer a tarefa que nos incumbe, sendo «sal da terra e luz do mundo», não para nosso benefício, honra ou louvor, mas para que o mundo possa ser salvo – de outro modo, apenas serviremos para «ser lançados fora».

Elias Couto


Fonte Ecclesia

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