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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Sabedoria

Sabedoria 1

I. A SABEDORIA E O DESTINO DO HOMEM<br> (1,1-5,23)

Exortação a praticar a justiça (Pr 8,31; Jo 8,34; 1 Cor 10,10)

1 *Amai a justiça, vós que governais a terra,
tende para com o Senhor sentimentos rectos
e buscai-o com sinceridade de coração.
2 Porque Ele deixa-se encontrar por aqueles que não o tentam
e revela-se aos que não perdem a fé nele.
3 Com efeito, os pensamentos perversos afastam de Deus;
e o seu poder, posto à prova, confunde os insensatos.
4 A sabedoria não entrará numa alma maligna
nem habitará num homem sujeito ao pecado.
5 *O espírito santo, que nos educa, foge da duplicidade,
afasta-se dos pensamentos insensatos,
retira-se ao aproximar-se a iniquidade.
6 A sabedoria é um espírito benevolente
mas que não deixará sem castigo os lábios blasfemos,
porque Deus é testemunha dos seus pensamentos,
examina o seu coração segundo a verdade
e escuta as suas palavras.
7 *O espírito do Senhor enche o universo,
e Ele, que tudo abrange, tem conhecimento de quanto se diz.
8 Aquele que profere palavras iníquas, não poderá ocultar-se
e a justiça acusadora não passará ao largo dele:
9 os planos do ímpio serão examinados,
o som das suas palavras chegará aos ouvidos do Senhor,
como prova dos seus delitos.
10 Com efeito, é um ouvido cioso que tudo ouve,
até o ruído das murmurações não ficará escondido.
11 *Abstende-vos, pois, de murmurações inúteis;
evitai que a vossa língua se entregue à maledicência,
porque a palavra secreta não fica sem efeito,
e a boca que calunia dá morte à alma.

A morte não vem de Deus, mas do pecado (2,23-24; Pr 8,36)

12 Não procureis a morte com uma vida desregrada
nem susciteis a vossa perdição com as obras das vossas mãos.
13 *Deus não é o autor da morte
nem se compraz com a destruição dos vivos.
14 Pois Ele tudo criou para a existência,
e todas as criaturas têm em si a salvação.
Não há nelas veneno de morte,
nem o poder do Hades domina sobre a terra,
15 porque a justiça é imortal.

Existência segundo os ímpios

16 *Mas os ímpios atraem o Hades com palavras e obras;
julgando-o seu amigo, por ele se consomem,
fazem aliança com ele;
bem merecem fazer parte dele.

Notas

1, 1
A justiça é viver segundo a vontade de Deus, tal como se exprime nos preceitos da Lei. Na prática, este modo de viver é chamado sabedoria. O autor dirige-se, em primeiro lugar, a todos os reis e àqueles que, de algum modo, detêm o poder (v.1), para, depois (v.2), se dirigir a todas as pessoas, chamadas também a superar critérios meramente terrenos e humanos, nas suas tarefas de orientar, governar e decidir.
5
O espírito santo, ou espírito de Deus, é aqui a própria sabedoria referida no v.4, que não pode viver no pecador nem conviver com a iniquidade (v.5). É como que uma força que orienta, educa e impulsiona a viver segundo a vontade de Deus. Por isso se diz que é "santo", embora não se trate ainda do Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade revelada por Jesus Cristo. Ver 1 Sm 10,6 nota; Ez 3,12 nota; 37,5-10 nota; Ap 1,4-8 nota.
7
Enche o universo é expressão da filosofia estóica que sublinha o papel do espírito de Deus como princípio de unidade e harmonia de todo o universo, e que o NT aplica a Jesus Cristo (Cl 1,17; Heb 1,3). Também a educação que Israel foi recebendo é vista como acção do espírito santo (Sl 51,13; Is 63,10-11), que guiou Israel no passado (Ne 9,20.30) e actua no interior de cada pessoa (Ez 11,19; 36,26-27 nota).
11
Porque Deus está presente em tudo e em todos através do seu espírito, Ele tem conhecimento das murmurações e das revoltas. Se elas não causam qualquer dano a Deus, provocam, isso sim, a morte daqueles que as proferem, como aconteceu no deserto, quando o povo murmurou contra Deus (Nm 13,32). Esta exortação é dirigida aos judeus do Egipto que, perseguidos pelos seus inimigos, "inutilmente" censuram, por isso, o próprio Deus.
13
Deus é fonte de vida e não de morte e, como tal, criou o ser humano para a vida (2,23; Gn 1,1-2.24; Ez 18,23-32).
16
Os ímpios são os materialistas e ateus desse tempo. É um termo de significação muito ampla, que tanto abrange os judeus que renegam a fé, no tempo dos Selêucidas, como aqueles que conduzem a sua vida à margem da fé, ridicularizando ou mesmo perseguindo os que pautam a sua vida pela fé. Para eles, só conta o comer e o beber, pois falta-lhes uma perspectiva ultraterrena da vida (2,1-9; Jb 7,9; 8,9; Sl 102,4; Ecl 11,8; 1 Cor 15,32). Tornam-se, por isso, presa fácil da morte.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.